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Álcool e amamentação, nada a ver
Por Cyntia Nogueira
É grande o folclore sobre os efeitos positivos das bebidas alcoólicas na produção do leite materno. A cerveja preta, por exemplo, teria um efeito relaxante e facilitaria a descida do leite. Ledo engano. Vários estudos mostram que o álcool, na verdade, afeta a qualidade do alimento produzido nas mamas. Os pesquisadores descobriram que, quando uma mulher consome esse tipo de bebida, o mesmo teor alcoólico presente em seu sangue também é encontrado no leite materno. Quando ingerida pela criança, a substância afeta o sistema imunológico e ainda diminui o aporte de vitamina A, uma das responsáveis por defender seu pequeno organismo contra infecções.

Pesquisas mais recentes também mostram que o consumo de álcool interfere no comportamento dos hormônios prolactina e ocitocina, os responsáveis respectivamente pela produção e pela ejeção do leite. “Em 30 minutos, o álcool ingerido pela mãe já pode ser identificado no leite e, especialmente no caso das bebidas fermentadas, atinge o pico máximo em 60 minutos”, conta o pediatra Marcus Renato de Carvalho, da Clínica Interdisciplinar de Apoio à Amamentação, no Rio de Janeiro. Ele explica que, em conseqüência, a criança fica embriagada e dorme mais. Aí surge outro efeito dominó negativo. “Isso faz o bebê sugar menos o peito e, assim, a produção de leite diminui”, afirma o especialista.
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