Letícia só descobriu que Diego tinha a síndrome de Down após seu nascimento.
Letícia De Marchi, 34 anos, é gerente de finanças em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo
Depois de sete anos de casamento, eu e o meu marido, Carlos, decidimos ter um filho. Foi tudo planejado: organizamos a nossa vida para receber o bebê e dar a ele tudo do bom e do melhor. O engraçado é que, mesmo ansiosa por gerar uma criança, só fui descobrir que estava grávida no terceiro mês de gestação. Minha gravidez, aliás, foi muito tranqüila. Não tive desejos, dores, enjôos. Tudo perfeito! Pelo menos até a 38ª semana, quando meu médico marcou uma cesárea de emergência. O bebê havia entrado em sofrimento fetal e precisou vir ao mundo antes do previsto.
Assim que nasceu, Diego foi levado para fazer os exames de rotina. Meu marido logo veio com a notícia: ele tinha a síndrome de Down. Na mesma hora, comecei a chorar e a me culpar. Por dois meses, fiquei me questionando por que aquilo estava acontecendo – achava que minha gravidez tinha sido um capricho de Carlos e não uma vontade minha. Tive medo de não ser uma boa mãe e fiquei muito insegura por ter um bebê que precisaria tanto de mim dali em diante.
Felizmente, consegui superar o receio aos poucos. Isso foi possível graças às orientações que obtive dos meus médicos e ao apoio de toda a família e dos amigos. Cheguei a trabalhar em casa durante a licença-maternidade para não ficar pensando em bobagens. Desde que ele nasceu, fazemos acompanhamento médico com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais, a Apae, que tem nos ajudado muito. Aprendi a lidar com o preconceito das pessoas e até mesmo com médicos inexperientes, que não queriam cuidar do meu filho. Todos os dias, me sinto realizada e agradeço por ter um bebê tão especial.
A falta de informação das pessoas é a principal dificuldade que os portadores de Down enfrentam. Não nego que o choque da notícia nos faz pensar em coisas que jamais deveríamos. Porém é preciso entender que a culpa não é do pai nem da mãe. Temos a responsabilidade de cuidar, ensinar, brincar, dar atenção e, principalmente, amar a criança sem restrições. É importante procurar orientações sobre o assunto para tirar todas as dúvidas. E repito: amar incondicionalmente é a melhor maneira de quebrar as barreiras que a sociedade impõe.
Diego está com 7 meses e a cada dia descobre uma coisa nova. É muito sorridente e não me dá um pingo de trabalho. É, enfim, uma criança como outra qualquer.
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